Bom, tá aí uma coisa que não se vê todo dia: Michael Jackson morreu. É lógico, ele só morre uma vez, mas o que eu tô querendo dizer é que morreu o cara do disco mais vendido no mundo. No mundo, sacaram? De acordo com a Wikipedia (valeu Wikipedia, tô formando! BRINKS, tô nan), o Thriller vendeu mais de 100 milhões de cópias. É disco pra caralho.
Esse/O cara era conhecido no mundo inteiro. Quem não delirava quando ele fazia um Moonwalk? Porra, eu curtia tanto que um dia no serviço, depois de véio, abri um site que ensinava o passo com uma animaçãozinha, e fiquei lá, de frente ao PC, a tarde inteira pra aprender a parada.
Aprendi.
Ele era o ícone do pop, o rei do pop. Lançou vários sucessos dançantes, abusou do brilho e das roupas esquisitas, dançava com uma leveza invejável. Mas era um cara estranho.
Muito fácil julgar e falar mal dele, chamá-lo de pedófilo. Mas a galere deve levar em conta que não houve nenhuma prova concreta que o acusasse de pedofilia.
Esse/O cara não teve infância. Acho que muitos de vocês contemporâneos meus (e mais velhos) viram uma série feita sobre a vida dele. E todos vimos que o pai dele abusava de todos do Jackson 5. Os garotos eram obrigados a ensaiar à exaustão, para que tudo saísse como Mr. Jackson queria. Tenso isso, né? Você lá com 5 anos sendo obrigado a cantar e dançar com perfeição, sorrindo, para não apanhar. O Michael uma vez disse que acordou no meio da noite com gritos no quarto. Era seu pai, com uma máscara assustadora. Ele havia entrado pela janela, e fez isso para que os meninos aprendessem a dormir sempre com a janela fechada.
Esse sr. Jackson era doidão demais. Guardadas as devidas proporções, o sr. Francisco (pai dos 2 filhos de Francisco) conseguiu atingir o objetivo de tornar seus filhos famosos com métodos muito mais aceitáveis. Mas, enfim, deu certo do mesmo jeito.
Será?
Para pra pensar: você, notícia desde os 8 anos de idade. O que você tava fazendo com 8 anos de idade? Eu provavelmente estava na escolinha com alguma paixonite, e depois da aula, em casa fazendo porra nenhuma. Esse/O cara já fazia shows. Já tinha compromissos profissionais, o dinheiro estava entrando aos montes. E ele sem cabeça nenhuma. Deve ter sido divertido no começo, mas desde então, não parou. Deu no que deu…
Fez sucesso pra caráleo como artista solo. Influenciou pessoas. Inventou o pop como ele é hoje. Trabalhou incansavelmente em turnês e álbuns. Ficou branco. É, ele era preto e ficou branco. Construiu um parque de diversões, o qual enchia de crianças. Arregaçou o nariz. Deve ter passado por um milhão de cirurgias plásticas. Casou com a filha do Elvis Presley, o rei do rock. Deu um beijo forçado nela ao vivo, pela TV. Separou. Teve filhos. Quase jogou um pela janela. Escondeu os filhos.
Gastou muito dinheiro. Dizem por aí que sua dívida estava estimada em US$800.000.000. Gastava dinheiro ao vento, como foi visto por mim em um documentário, no qual ele vai até uma loja de antiguidades e faz como uma criança numa loja de brinquedos: - Quero, este, este, este, este, aquele, e este ali.
Comprar era fácil, mas o que ele procurou nos últimos anos foi o que não teve em seus primeiros, e que nenhum dinheiro no mundo poderia jamais adquirir: o direito de ser criança.
E no fim da vida, agendou shows. Shows lotados. Todos os ingressos vendidos. Os fãs, súditos fiéis, iriam reverenciar o rei do pop, ou sua sombra. Porque aquilo não fazia mais parte dele havia muito tempo. Seria uma provável despedida sem remorsos da vida que o tornou um ícone que no fundo não queria ser.
Porque esse/o cara era apenas um menino.
Descanse, você merece.
